.2 de mai de 2017

[Resenha] Desnudo - Thássio G.Ferreira

Resenha do livro Desnudo – Thássio G. Ferreira
Título: Desnudo
Autor: Thássio G. Ferreira
Editora: Ibis Libris
Ano: 2016
N° de Páginas: 84


Sinopse:
Despido de si, o uno é sempre um outro, de maneira que somente a poesia possa deflagrar tal dinâmica de alteração e pró-criação do existente. A razão entra, sim, no cuidado de revelar a própria emoção poética, sem que a aniquile quando consumada na forma-poema. Dessa consciência, Thássio G. Ferreira se vale: maneja ferramentas sonoras, rímicas, rítmicas. Entre aliterações e assonâncias, não joga as palavras, nem somente joga com elas. O poeta se joga, sim, à palavra como quem “se entrega ao sol do mundo”. Apresentação de Igor Fagundes.


DES)NU(DO) é uma antologia que mostra que todo poeta é um costureiro de sentimentos, pensamentos e experiências.


No poema inicial Desnudamento, temos uma construção poética com rimas abertas e aliterações que combinam harmonicamente com o despir do eu lírico do texto. Temos o retirar do que pensamos, sentimos e vivemos e acabando sendo o que realmente somos: Humanos.

“Desprotegido do que minto,
desarmado do que acuso,
enxuto e contrito
do que cantei e calei [...]”


Em Cura somos levados a saber das peripécias do Amor e sua mania de nos levar aos extremos. Nós, sendo ingênuos e despreparados, ganhamos feridas que nos tornam mais fortes depois da cura que vem pelo amor.

“O amor
do mar
é maior
que a dor
dos males
dentro de mim.”

Na A Carne Inrancorosa, o poeta nos fala sobre a ingenuidade do nosso corpo que vive várias dores emocionais, mas parece nunca se lembrar disso. Tem um coração partido, mas não se lembrará dessa lembrança ruim e partirá para outro amor sem marcas visíveis.

“E pobre, pobre,
inconsciente de sua história,
volta a se abrir
no mesmo lugar.”

Exercício da Rima fala do modo, sem pudor ou medo, que o poeta expõe suas rimas. Thássio pede desculpas por seus versos carregados de muitos pensamentos por vezes serem rejeitados pelo público por conta das rimas cotidianas.

“ [...] tão prezado e paciente,
que lhe perdoe o louvor
à rima inconsequente.”

No Canto Momentâneo as rimas me encantaram e me fizeram lembrar da minha paixão por poemas. O poeta nos aconselha a viver o presente sem deixar de ser iludido pelas visões do futuro e muito menos pelos fantasmas do passado, porque o mesmo não passa de um emaranhado de lembranças escolhidas por nós.

“ É cântico meu,
poesia,
em que destilo
os agoras
que ao acaso vivo.”


Consumição é um poema que me conquistou pela construção narrativa, técnica e harmônica entre palavras e pensamentos de um eu lírico que era apaixonado por uma jovem. Contudo ela não correspondeu ao sentimento e ele se tornou “um cais” para novos “barcos”, ou seja, transformou-se em um ser livre para amar outras pessoas.

“Dali,
voltei a ser cais,
mas para outros barcos.”

Thássio construiu uma antologia poética com traços de seus pensamentos profundos emaranhados e confundidos com suas vivências no mundo. Palavras costuradas como retalhos numa colcha feita para emocionar o leitor e apresentar que o Amor é a única fonte de vida para os seres humanos.


O livro é dividido em três partes: I- O Poeta, II – A Poesia e III – O Tempo e o Silêncio e traz poemas com as mais diversas temáticas: Amor, Paixões inacabadas, amadurecimento, crescimento, saudades do ser amado, a profissão “Poeta” e a nudez do ser humano longe de todos.

O autor abre as três partes com trechos de Clarice Lispector, que preencheu a minha vida com suas palavras insanas e seus sentimentos intensos pela vida e pela Literatura, Manoel de Barros e Manuel Bandeira, autores que permeiam minhas leituras constantemente com pensamentos de leveza e intensidade na vida.


A capa do livro combina com a essência do autor. Mostra maturidade nos poemas, rimas e um talento sem igual em captar momentos e sentimentos. Thássio é capaz de trazer sorrisos e lágrimas para os leitores mais sensíveis.



(DES)NU(DO) é a nudez do poeta que tece uma colcha de sentimentos, pensamentos e experiências suas e de diversos personagens que compõem a vida dele. Thássio nos apresenta uma obra que lembra o tear das Parcas na Mitologia Grega.




13 comentários:

  1. Oiii Joanice tudo bem?
    Eu sou perdidamente apaixonada por livros de poesias que você nem imagina, além do mais não pensaria duas vezes a não ser ler, ótimas fotos e resenha, ficou incrível.
    Abraços

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  2. Oi Joanice,não sou uma apaixonada por poesia mas semore gosto de ler algumas e gostei dos versos que vc escolheu para a resenha, deu vontade de ler um pouco mais. Bjs

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  3. Ainn esse livro é maravilhoso! Sua resenha está incrível e me deixou com vontade de reler esse livro haha. As poesias desse livro são encantadoras e nos fazem refletir e ao mesmo tempo sentir um turbilhão de emoções. Suas fotos ficaram lindas! Fico feliz que tenha gostado, é uma ótima leitura. Bjss!

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  4. Oi, Joanice!
    Não sou fã de poemas, mas de vez em quando vejo resenhas assim como a sua que me deixam curiosa.
    Gostei do poema "Consumição". Quando não nos querem, devemos sempre buscar amor naqueles que nos querem bem.
    Beijão!
    http://www.lagarota.com.br/
    http://www.asmeninasqueleemlivros.com/

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  5. Oie! Tudo bem?

    Não sou fã de livros de poemas, prefiro mais aqueles rápidos que encontro na rua ou no facebook, do que um livro deles! Mas para quem gosta com certeza essa dica deve ser muito boa! E fico feliz que tenha gostado da leitura!

    Bjss

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  6. Olá!!
    Achei o título bem interessante, mas não sou nada fã de poesia. Acho que não seria uma leitura muito indicada para mim... Preciso perder esse bloqueio primeiro :/

    ourbravenewblog.weebly.com

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  7. Oi, Jo!
    Nossa, que poemas maravilhosos! Eu gostei demais deles.
    A forma com que o autor descreveu seus pensamentos e sentimentos, foi incrível. Dica anotadíssima!

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  8. Amei! Amo poesia, não sei se me encanto pelo livro ou pelas fotos que você fez, ficaram incríveis! Raro ver em blogs, resenhas de livros de poesia. Amei! Amei! Amei! Já quero ler o mais rápido possível.

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  9. Oi, tudo bom?
    Não sou de ler muita poesia e é difícil as que gosto, muitas vezes porque não entendo mesmo. Adorei a maneira como você apresentou o livro, me deixou encantado. A edição é bem bonita e gostei bastante do título.
    Até mais o/

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  10. Oiee Joanice ^^
    Por mais que eu goste de poesias (principalmente porque os poetas e poetisas colocam sentimento e alma no papel), não senti muita animação para ler esse livro. Acho que é porque eu me sinto na obrigação de ler os livros que vão saindo (obrigação de querer mesmo, não de ser obrigada mesmo...haha' que confuso *-*), e não tenho tempo de ler poesia. Mas eu anotei o título :)
    MilkMilks ♥

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  11. Oi Joanice, sua linda, tudo bem?
    Ah, eu adoro Clarice Lispector,os textos dela são incríveis, gostaria de ver qual o autor usou para ilustrar seu livro. Esse não é o meu gênero de leitura, confesso. Mesmo assim, achei o tema bem forte, a nudez do ser humano longe de todos. E pelos exemplos que colocou, ele tem talento. Para quem é o púbico alvo, deve ser uma boa dica de leitura. Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  12. Oi, tudo bem?

    Não gosto de livros de poesia, mas a forma como tu resenhou me encantou, e fiquei bem curiosa.....

    amei

    bjs

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  13. Olá! Poesias são um dos traumas da minha vida por causa das aulas de Literatura e da minha incapacidade em chegar à conclusão comum sobre os sentimentos. Estou me aproximando aos poucos de autores que se expressam desta forma e aprendendo a experimentar. Obrigada pela indicação e parabéns ao autor por compartilhar estes sentimentos conosco!

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